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Pantanal

O espetáculo da florada dos Ipês no Pantanal

Da Redação

23/05/2024 - 10:18 | Atualizada em 23/05/2024 - 10:33

O espetáculo da florada dos Ipês no Pantanal

Foto: Amaury Santos

O Pantanal surpreende em todas as estações. O regime da vida é ditado pelo regime das águas, aqui as estações são bem distintas e muito bem definidas. No período de seca, quando o Cerrado quer parecer um deserto, acontece a florada dos ipês rosas (tem uns brancos teimosos que aparecem no meio) cheios de cor e vida. O espetáculo dura uns poucos dias, a copa dos ipês fica cobertas de flores, que rapidamente forram o chão e transformam as áreas antes alagadas em verdadeiros tapetes em flor.

Esse ano a florada do ipê rosa veio mais cedo, geralmente ela ocorre no final do mês agosto, início de setembro, mas esse ano em meados de julho o ipê rosa começou a florescer, e agente até se pergunta... “ê primavera?”
O Pantanal virou cartão postal nessa florada e ressurgiu como um tapete rosa florido, evocando a vida do principal santuário ecológico das Américas, depois de ter enfrentado no último ano uma das maiores queimadas florestais dos últimos 100 anos, onde a vida selvagem correu perigo.



Para o pantaneiro ou para quem vive do Pantanal e no Pantanal, essa floração antecipada é bom sinal, a flor da piúva não se suja na lama, a flor da piúva como é chamado o ipê rosa antecede as chuvas, isso quer dizer que teremos chuva cedo, profetiza o empresário André Thurony que há mais de 30 anos vive no Pantanal de Poconé na transpantaneira.

De grande valor no mercado madeireiro a piúva é muito usada na construção de pisos, decks, já nas fazendas da região ela e usada nas instalações rurais para cerca e curral. Antigamente a piúva era usada por indígenas para ornamentos de caça e defesa. Mas a luta do homem pantaneiro e para deixar a piúva em pé, a imensidão da florada esse ano atraiu dezenas de turistas, o fotografo e dentista Amaury Santos se apressou em arrumar as malas, e ficou vários dias no Pantanal, registrando cada detalhe dessa florada, “foi uma experiencia inesquecível, nunca é igual” afirma ele todo entusiasmado com o resultado obtido.

O Pantanal está se regenerando, em 2020 o bioma enfrentou a pior seca dos últimos anos, além de centenas de focos de incêndios florais, o ano passado se encerrou com o triste recorde de uma área de vegetação nativa consumida pelo fogo até nove vezes maior que o desmatamento ocorrido na região. Em meados de julho o Pantanal enfrentou o pior frio da região, o choque térmico, segundo André Thurony, é uma das causas desse evento natural que cobriu o Pantanal de flores de ipês, antes da hora.



A explicação dele tem fundamento na crença dos pantaneiros “com o frio, houve uma sincronização nos botões, o choque térmico quebrou a dormência dos botões, daí todas as arvores floresceram de uma só vez, um fenômeno magico bem raro por aqui”.

A equipe de Amaury Santos se deleitou com a florada do ipê rosa, e no meio desse mar de cores, uma bela surpresa, um frondoso ipê branco também se abriu. Essa coloração branca e comum no bioma Cerrado, mas bem raro aqui no Pantanal.
Esse final de julho a região da transpantaneira ficou mais alegre e colorida, isso para os pantaneiros revela que ao contrário do que afirmam as correntes negacionistas, sobre a preservação ambiental por causa das queimadas, a florada simultânea das piúvas é um bom sinal, e o resultado da boa conservação do solo, por aqueles pantaneiros que vivem na região.

O espetáculo da floração das piúvas é rápido, esse ano durou menos de uma semana, a florada que antecede as chuvas representa uma mudança de estação, e vivenciar essa beleza é o maior sonho dos que amam o Pantanal.

E como escreveu Manoel de Barros:

“As flores dessas árvores depois nascerão mais perfumadas.”
 
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