Segunda-feira, 20 de maio de 2024
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Presença humana no Pantanal pode ser mais antiga do que se pensava

Presença humana no Pantanal pode ser mais antiga do que se pensava

Foto: Andre Maceira

O Pantanal é uma das áreas mais inóspitas da Terra. Mesmo assim, os humanos habitam a região altamente alagável há milhares de anos. Mas a presença do homem no local pode ser ainda mais antiga do que se imaginava.

Vestígios antigos

Segundo os professores aposentados da Universidade Federal de Mato Grosso e autores do livro recém-lançado “Pantanal – Origens de um Paraíso”, Maria de Fátima Costa e Pablo Diener, “desde muito cedo o Pantanal foi habitado por populações humanas. No seu interior, há múltiplos vestígios atestando que ali a presença de homens e mulheres é bastante antiga”.

A publicação não se restringe à história milenar desses povos que viveram na região.

Ela aborda ainda como configurações geológicas específicas, enormes quantidades de água e uma série de outros fatores da natureza deram origem ao que conhecemos como Pantanal, espaço complexo e frágil como, na comparação dos autores, “um belo castelo feito de cartas de baralho”.

O livro reconstitui ainda cinco expedições naturalistas, ocorridas entre 1750 e 1850, que foram essenciais como estudos pioneiros sobre o território.

Mas o que chama mesmo a atenção é a descrição das características das antigas ocupações humanas.

As informações são da Folha de São Paulo.

Ocupação humana do Pantanal

De acordo com Costa e Diener, grupos habitam a bacia do Alto Rio Paraguai há pelo menos 8 mil anos.

Segundo os pesquisadores, aqueles que viviam por lá nesse período eram hábeis no manejo dos instrumentos de pedra e sobreviviam à base da coleta, da caça e da pesca. Eles moravam às margens das grandes lagoas cercadas por morros, onde o solo era mais apropriado para a agricultura e havia fartura de madeira para, entre outras coisas, construir canoas.

Não há dados inéditos no livro. Em linhas gerais, os autores conciliam dois movimentos: por um lado, reconstituem e contextualizam registros históricos, como os feitos pelo colonizador espanhol Cabeza de Vaca, que esteve na região no século 16; por outro, pinçam as pesquisas recentes mais relevantes sobre a região, produzidas em universidades, para apresentá-las de modo acessível a um público mais amplo.

No capítulo mais voltado à arqueologia, Costa e Diener chamam a atenção para dois legados deixados pelos primeiros habitantes pantaneiros. De início, os sítios rupestres, conjuntos de gravuras e pinturas nas paredes rochosas de locais como a lagoa Gaíva, em Corumbá (MS).

Estudos recentes citados pelos autores concluíram que as figuras foram inscritas nas pedras para ajudar os moradores a medir o nível das águas, assumindo a função de calendários. A partir desses cálculos, eles poderiam definir, por exemplo, os ritos cotidianos. Ou seja, era uma linguagem gráfica vital para o dia a dia das comunidades.

Além dos sítios rupestres, o livro nos apresenta aos aterros, também chamados de aterradinhos. São “montículos que se projetam na paisagem, formados por acúmulo de restos alimentares e sedimentos de vários materiais orgânicos, cobertos por camadas de terra, vegetação e restos de conchas de moluscos”. Serviam provavelmente como área de proteção das inundações e também como marcos de divisão de territórios.

Os conquistadores espanhóis foram os primeiros europeus a chegar à área inundável da bacia do Alto Rio Paraguai. Quando alcançaram a região, no início do século 16, encontraram dezenas de diferentes etnias. Não existem informações mais precisas sobre o tamanho dessas populações, mas os relatos deixados pelos espanhóis indicam lugares densamente povoados, com uma variedade de línguas e costumes.

 Entre os grupos indígenas vistos pelos europeus nesses contatos iniciais, estavam justamente os guatós, que ainda sobrevivem, e os xarayes, extintos. Aliás, até meados do século 18, não havia Pantanal nos mapas. A região era conhecida como Lagoa dos Xarayes.

* Com informação OlharDigital | Folha de São Paulo

 
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