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Da Redação | Postado em 03.08.2016 às 08:38h
Reprodução Relatório aponta dois locais impróprios para banho na baixada Cuiabana

Relatório aponta dois locais impróprios para banho na baixada Cuiabana

Dois locais de banho frequentados pela população foram considerados impróprios, segundo o relatório da campanha de balneabilidade realizada pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). Foram feitas cinco amostragens em 21 trechos de rios mato-grossenses localizadas em nove municípios entre os dias 20 de junho e 15 de julho.

O estudo levou em consideração fatores de risco à saúde humana estabelecidos pela Resolução nº 274/2.000 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), como: a quantidade de Escherichia coli (coliformes fecais); a incidência elevada ou anormal de enfermidades transmissíveis por via hídrica, indicadas pelas autoridades sanitárias; a presença de resíduos sólidos ou líquidos, como esgotos sanitários; o nível de PH.

O Rio Cuiabá foi apontado como inadequado para banho nos trechos da comunidade de São Gonçalo da Beira Rio, impróprio desde 2007, e na comunidade de Bonsucesso em Várzea Grande, impróprio desde 2003.

O coordenador de Monitoramento da Qualidade Ambiental da Sema, Sérgio Batista de Figueiredo, explica que o lançamento de lixo e esgoto sanitário agrava a situação desses trechos inadequados para banho. “Em São Gonçalo, por exemplo, o rio recebe quantidades significativas de esgoto de vários locais, como o Córrego do Barbado. Outra questão é que o Rio Cuiabá atravessa uma expressiva parte da área urbana da capital e Várzea Grande e quando chega a Bom Sucesso está com grau significativo de poluição”.

Sérgio orienta a população a não fazer uso desses trechos do rio porque eles aumentam a possibilidade do banhista contrair doenças, como hepatite, febre tifoide, gastroenterite, doenças da pele e outras. “Apesar do calor, é necessário ter consciência, escolher locais adequados para banho e assim evitar problemas de saúde”.

Balneabilidade

O relatório de balneabilidade é realizado anualmente pelo Laboratório de Monitoramento Ambiental da Sema, por exigência da legislação ambiental. Sérgio informa que o estudo tem o objetivo de subsidiar a atuação das prefeituras e dos órgãos de fiscalização e prever consequências futuras. “A utilização da água para fins recreativos é muito comum no Estado, e estimula o turismo, principalmente nos rios próximos às cidades e onde ocorre a formação de praias na época da seca. Em razão disso, torna-se relevante conhecer a qualidade da água, para garantir a preservação dos recursos hídricos e a proteção da saúde da população”.

A constatação da presença de coliformes fecais, em um determinado local, acima de 2.000 mililitros (ml) em mais de 20% das amostras pode estar associada ao lançamento de esgoto sanitário, fezes de animais ou a presença de micro-organismos patogênicos.

Dos 21 locais analisados, 19 foram classificados como próprios para a prática de recreação e banho. São considerados ‘excelentes' para banhistas: os rios Coxipó Açu (Cuiabá); Rio Cuiabá, nos trechos da Passagem da Conceição (Várzea Grande), da Praia das Embaúbas (Rosário Oeste), da Praia do Pari (Cuiabá); Rio Bugres (Barra do Bugres); Cachoeirinha, no trecho da Cachoeira dos Namorados (Chapada dos Guimarães); Lago do Manso, no trecho do Condomínio Portal das Águas (Chapada dos Guimarães) e o Rio Santana na Praia Nortefly (Nortelândia).

Dois trechos do Rio Paraguai foram inseridos na campanha de balneabilidade deste ano: os pontos da Usina (Rio Paraguai), localizada no município de Diamantino, e o trecho do Catira, em Alto Paraguai. Ambos os locais apresentaram condição própria para banho e receberam a classificação ‘excelente’ e ‘muito boa’, respectivamente.

Estão também na categoria ‘muito boa’ os rios Coxipó, nos trechos da Ponte de Ferro e da Comunidade do Coxipó do Ouro (Cuiabá), Rio Claro (Cuiabá), Rio da Casca, no ponto da Cachoeirinha da Martinha (Chapada dos Guimarães), Rio Paraguai (Barra do Bugres). Já o trecho ‘satisfatório’ para banhistas são: Mutuca (Rio Mutuca), Praia de Santo Antônio (Rio Cuiabá), Praia das Veredas (Rio Cuiabá) e Cachoeirinha (Rio Cachoeirinha).

Sérgio lembra que em 2015 os trechos do Rio Bugre e do Rio Paraguai, que passam em Barra do Bugres, foram considerados impróprios para banho, mas neste ano houve uma melhoria na qualidade da água e os rios estão aptos para uso da população. “Talvez as pessoas tenham ficado mais conscientes quanto ao seu comportamento diante dos recursos naturais, mas independente do fator culminante dessa mudança é importante destacar que a prática da conservação ambiental acarreta na melhoria da qualidade da água”.

O coordenador alerta que nos últimos dois anos há uma tendência de piora geral na qualidade da água, principalmente nos rios da região hidrográfica do Paraguai e Araguaia-Tocantins e por isso é importante realizar práticas sustentáveis voltadas à preservação da natureza no Estado. Sérgio explica que é importante também evitar o banho após a ocorrência de chuvas de maior intensidade e a ingestão de água destes locais, sem o devido tratamento. “É necessário redobrar a atenção com as crianças e idosos, que são os mais sensíveis e menos imunes que adultos”.

Monitoramento

O monitoramento da balneabilidade das praias começou em 1995, com a implantação dos pontos de coleta. As praias escolhidas para o monitoramento sofreram alteração de um ano para o outro. Em 1995, foram avaliadas apenas quatro praias e esse número chegou a ser de 32 em 2004. A avaliação foi interrompida apenas nos anos de 1996, 1997 e 2013.

Serviço

É possível comunicar a Sema caso aconteça qualquer evento ou circunstância que levante dúvidas quanto à manutenção da condição de balneabilidade do rio ou córrego. Para reclamações ou sugestões, está disponível o e-mail qualidadedaagua@sema.mt.gov.br e o telefone da ouvidoria 0800-65-3838. Se quiser sugerir município não cotado nesta campanha, basta protocolar um ofício na secretaria solicitando a inclusão do trecho. Lembrando que o rio a ser analisado precisa ser frequentado por pessoas com objetivo de banho e lazer.