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Érico Duarte Izaias | Postado em 24.08.2021 às 10:50h
Érico Duarte Izaias

Crises de TPM aumentam na pandemia e ginecologista dá dicas

Cólicas, dores de cabeça, oscilações de humor e uma vontade incontrolável de comer doce. Sintomas conhecidos de muitas mulheres durante a tensão pré-menstrual, a famosa TPM, se tornaram ainda mais comuns e intensos durante a pandemia. Não é por menos. A alta carga de estresse, a necessidade de isolamento social as incertezas deste período trouxeram sensações e efeitos físicos que muitas mulheres desconheciam.

O médico ginecologista Érico Duarte Izaias explica que a TPM não é só representada por sintomas físicos, mas também emocionais e comportamentais. “A síndrome pré-menstrual é representada por um conjunto de sintomas que apresentam caráter cíclico e recorrente, iniciando-se na semana anterior à menstruação e que aliviam com o início do fluxo menstrual. Alguns deles são tipicamente graves o suficiente para interferir em alguns aspectos da vida da mulher”.

Érico ressalta que a prevalência dos sintomas da tensão pré-menstrual é de 75% a 80% nas mulheres em idade reprodutiva. Há também casos mais graves, tratados como transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) e também conhecidos como “depressão pré-menstrual”, que atingem de 3% a 8% das mulheres. Especialista estimam que este percentual tenha aumentado na pandemia, interferindo diretamente na vida social, profissional e familiar. “A intensidade e a qualidade dos sinais e sintomas encontrados são muito variáveis de mulher para mulher, e têm sido relatados desde a primeira menstruação até a menopausa”.

Mesmo sendo tão comum, a maioria das mulheres busca ajuda para a TPM por volta dos 30 anos, após 10 anos ou mais convivendo com os sintomas. Além da dor de cabeça e cólicas, também é comum o aumento do tamanho e da sensibilidade das mamas; dor e inchaço nas pernas e, às vezes, no corpo todo; ganho de peso; fadiga; aumento do volume abdominal; acne; ansiedade; irritabilidade; depressão; mudanças de humor; depreciação da autoimagem e alteração do apetite. “Há também casos em que ciclo menstrual fica desregular, a menstruação atrasa. Isso é comum quando a mulher passa por nível de estresse algo”.

Apesar da vontade de comer doce, para reduzir a intensidade dos sintomas o médico indica reduzir o consumo de chocolates, assim como do café e do álcool. “Embora, em curto prazo, essas substâncias minimizem a angústia e o cansaço, há um efeito rebote já que ambos pioram o inchaço e a irritabilidade”.

Ao invés deles, é indicada a ingestão de alimentos e líquidos que aumentem a hidratação. “Adotar hábitos saudáveis e atividades que liberem endorfina, ou o hormônio do prazer, responsáveis pelo relaxamento do corpo, pode contribuir para dias mais tranquilos. Caso as crises interfiram na rotina, procure orientação médica. Não é necessário passar anos sofrendo com os sintomas”.

 

Érico Duarte Izaias

Pós-Graduado em Ultrassonografia Fatesa-Ribeirao Preto - SP; Pós-Graduado em Cirurgia Minimamente Invasiva - Beneficência Portuguesa -SP; Pós-Graduando em Medicina Integrativa - Hosp Albert Einstein – SP.