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Alan Barros | Postado em 09.09.2019 às 08:04h
Alan Barros

Suicídio: precisamos falar para não perder minutos e pessoas preciosas

No Brasil, um suicídio e 3 tentativas são registradas a cada 45 minutos. Tempo necessário para se fazer uma aula de ginástica, tomar o café da manhã com a família, responder os e-mails ou dar uma olhadinha nas redes sociais.

Se contabilizarmos todos os minutos até o final do dia, chegaremos à conclusão que enquanto seguimos nossa vida normalmente, 32 desistiram de viver.

Dados oficiais da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que 800 mil suicídios são registrados por ano. Porém, a própria entidade admite que o número está aquém da realidade.

Conforme a análise dos especialistas, muitos casos são subnotificados ou notificados de forma errônea por médicos, profissionais da área de identificação e ainda pela própria família, que tem vergonha de oficializar.

E não estamos falando de acidente e nem de mortes em decorrência de doenças. Estamos falando de pessoas que não querem mais sentir uma dor profunda que as aflige.

Quem pensa que esta reflexão é trágica, saiba que pode ser ainda mais cruel. Basta levarmos em consideração que 90% dos casos poderiam ser evitados com acolhimento, conversa e tratamento especializado, também segundo perspectiva da OMS.

Então, agora cheguei onde quero.

Se está estabelecido que falar, capacitar e acolher são as melhores soluções, por que tratamos o tema como um tabu?

Alguns pesquisadores falam de questões religiosas ou da dor e culpa que esses casos trazem a familiares e pessoas próximas a vítima. Todos se sentem cobrados por não darem atenção a um membro do próprio núcleo de relações íntimas.

E, as perguntas de quem está fora da situação se estendem até insinuarem a omissão. Fato que causa dor profunda.

Mas, como identificar sinais se não falamos sobre suicídio? Como saber como agir, se não tratamos do tema nos ambientes familiares, educacionais e de trabalho?

É neste sentido, que encaixamos a importância do Setembro Amarelo. Ele é o começo de um processo de conscientização da sociedade sobre o tema.

Devemos nos dedicar em informar intensamente durante todos os 30 dias. É como se o período fosse uma janela, que trará luz a uma nova forma de se evitar o suicídio, divulgando as entidades e estruturas disponíveis hoje para atender quem precisa.

Quero concluir aqui, lembrando no motivo de se escolher a cor amarela para o tema. Em 1994, o jovem americano, de apenas 17 anos, chamado Mike Emme, tirou a própria vida dirigindo seu carro amarelo.

Os amigos e familiares dele distribuíram cartões com fitas amarelas e mensagens de apoio para pessoas durante e após o funeral. A ideia era ajudar quem estava passando pela mesma dor que afligiu Mike.

Conforme a história, o carro usado por Mike era um Mustang 68, restaurado e pintado por ele próprio.

Depois disso, os pais de Mike, Dale Emme e Darlene Emme, iniciaram a campanha do programa de prevenção do suicídio "fita marela" ou "yellow ribbon" em inglês.

 

Então, vista-se de Amarelo e defenda esta causa.

 

Alan Barros é escritor do livro “Tenho Depressão. E Agora?” e idealizador do Projeto de Conscientização da Depressão e do Suicídio que inclui o Grupo de Apoio Terapêutico "#Fale", que é GRATUITO e acontece todas as terças-feiras no Cine Teatro. Barros também é responsável pelo 1º Seminário Estadual de Prevenção e Posvenção do Suicídio, que será dia 17 de setembro no Teatro Zulmira Canavarros.