Artigos

Lorena Lacerda | Postado em 27.12.2019 às 12:28h
Lorena Lacerda

Empresas com propósito: o futuro já começou

 

Fim do ano se aproxima e com ele uma reflexão: sua empresa tem um propósito, para além do lucro e do sucesso nos negócios? Pode parecer uma pergunta curiosa (ou estranha), mas a resposta pode variar dependendo de quem você perguntar. No entanto, o que algumas organizações ainda não perceberam é que esse objetivo faz mais do que tornar uma marca única – pode iluminar o caminho evolutivo dela.

Em um nível básico, o propósito pode simplesmente expressar o que uma empresa deseja ser e fazer (sua missão). Enquanto que em um nível mais avançado, torna-se uma expressão consciente de como uma organização pretende evoluir e se transformar.

Imagine uma rede de supermercados. Esse negócio poderia imaginar seu objetivo como ajudar as pessoas a terem uma alimentação mais saudável. Em um nível mais transformador, poderia enquadrá-lo como auxiliar as pessoas a alcançarem mais qualidade de vida – contribuindo para a redução da taxa de obesidade e os riscos cardiovasculares atrelados à ela, entre eles o quadro de mortalidade. Isto, ao integrar diferentes necessidades de forma mais coesa e harmoniosa.

No primeiro caso, o propósito levará a empresa a desenvolver fortes ativos técnicos que, por sua vez, ajudarão a empresa a alcançar um crescimento linear. No segundo caso, esse objetivo não apenas aprofundará o significado do que a rede de supermercados faz, mas também expandirá a composição e o escopo dos produtos que pode oferecer – e, consequentemente, o próprio impacto que pode ter na vida de seus clientes.

Se for um reflexo genuíno de como a organização pretende evoluir, esse propósito também a incentivará a abordar inconsistências e lacunas em sua própria cultura. Até porque, para progredir em direção a seu objetivo, a rede de supermercados precisaria aprofundar sua compreensão do que significa viver essa realidade. Ou seja, precisaria examinar atentamente o bem-estar de seus colaboradores e a qualidade da alimentação deles dentro do contexto trabalho e vida pessoal.

A questão é que um propósito adquire seu maior potencial quando uma empresa muda a atenção para sua própria consciência e crescimento interno. Atualmente, muitos colaboradores, especialmente os millennials (integrantes da geração do milênio), sentem falta de afinidade com o objetivo da empresa em que atuam ou pretendem atuar. Essa conexão (compromisso) influencia tanto na produtividade quanto no índice de rotatividade e atração desses talentos.

Adotar um propósito autêntico requer um nível mais alto de maturidade na consciência da própria empresa. A pergunta que surge é: o que fazemos hoje nos ajuda a aproveitar nosso potencial transformador e as possibilidades mais profundas, incluindo aquelas que ainda não podemos enxergar? Tal processo engloba questionamentos como “somos fiéis a nós mesmos?”, “isso está de acordo com o que a gente propôs?” e “estamos prestando um serviço ao mundo?”.

Um propósito escolhido intencionalmente – de maneira consciente e como um reflexo de como a empresa deseja evoluir – pode ter um impacto transformador. O capitalismo consciente e o marketing social, por exemplo, já são uma realidade Brasil afora. Motivação extra: segundo uma pesquisa da Harvard Business Review, com organizações de médio e grande porte, disseminar valores gera seis vezes mais retorno financeiro.

E você, já se perguntou qual é o propósito da sua empresa? Afinal, o futuro já começou.

*Lorena Lacerda é palestrante, coach de executivos e times, mentora de liderança e gestão, CEO do Grupo Valure, associada à Fundação Dom Cabral em MT