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Oscar Jr. | Postado em 10.07.2019 às 17:07h
Oscar Jr.

A Imagem Acústica do Château Camalote

Corpo humano possui 5 sentidos, certo? Errado. Então o que dizer sobre a Percepção? A intuição? As inspirações e idéias? Se usamos pouco mais de 3% da nossa capacidade intelectual, aonde estão escondidas as outras 97%?

Porque estou questionando esses gatilhos mentais e paradigmas culturais que aprendemos desde criança? Minha dissertação vem ao encontro com as experiencias e sensações que tive num WorkShop sobre fotografia na Pousada Château Camalote, onde pude Cheirar os sons da natureza viva, ouvir cores, ver sabores, sentir a harmonia e experimentar o gosto da cultura filosófica a moda da casa, no acompanhamento de uma Pira Greco-pantaneira, tendo um Cabernet Sauvignon como cumplice de tudo.

A qualificação de Château, que significa castelo em Frances, não é em vão. Aquela estrutura que encanta pela forma moderna e autossustentável, conjugada com um designer de interiores invejável, acolhe todos os súditos que ali hospedam. Um encanto que se inicia na chegada até o pôr do sol, que traz consigo experiencias incríveis com o cantar dos pássaros e animais que ali vivem, além obvio do cochicho em cê-agá por toda mata, como diria sabiamente Tetê Espíndola em sua canção “Na Chapada”.

Durante o Workshop pude perceber o quão é importante o encantamento no atendimento. A anfitriã Lauristela Guimarães e seu esposo não mediram esforços para agradar a todos os hospedes que exaustivamente praticavam a arte de capturar aquela belíssima natureza como cenário nos cliques que disparavam em direção a modelos. Foi Mágico. Móveis clássicos de madeira rústica e adornos maravilhosos, tudo se misturava entre a decoração e o funcional, formas e conteúdos voltados para arquitetura moderna, sobretudo porque o prédio fora criado na concepção de materiais reciclados, ou seja, o descarte que virou luxo nas mãos do artista que projetou a edificação.

A noite chega e o violão pagou o pato com as palhetadas, dedilhados, batidas e levadas com o repertório de Rock, reggae, Pop e Rythm blues de “É preciso amar as pessoas como se não houvesse o amanhã”. Nesse momento pedi desculpas ao afinado canto dos pássaros para minha desafinada intervenção sonora, sempre com pretexto de que “Feito é tão melhor quanto perfeito”.

Um pé Centenário de Jatobá é o grande provedor do acesso dos pássaros que chegam todas as manhãs para tomar o café na sacada da Pousada, mesmo palco em que os macacos de uma espécie rara vem cumprir o ritual de alimentação na mão da Lauristela.

A verdade é que o magico lugar é uma passagem obrigatória para quem quer ter sensações únicas, voltadas para as raízes da natureza, da mais pura essência contida na obra do cancioneiro Almir Sater  “Conhecer as manhas e as manhãs, o sabor das massas e das maçãs”, sobretudo porque o café da manhã não tem igual, só vendo, experimentando, se deliciando para crer...

Sobre os sentidos que falamos no início, elegi a percepção, provedora e matéria prima para a construção de uma boa fotografia. A percepção é “um sexto sentido maior que a razão”. Fui...

 

Oscar Jr., fotógrafo e comunicador

 

Crédito foto: Douglas Pulquerio